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Menopausa
Menopausa: início de uma nova fase

Muitos milhares de portuguesas estão prestes a atingir os 50 anos de idade. Estão, portanto, a atravessar a menopausa e a entrar numa nova etapa da sua vida, para a qual muitas não estão preparadas.

Talvez por razões culturais, muitas mulheres vivem a sua menopausa como um trauma e identificam-na com a velhice. A verdade é que a menopausa aparece num momento crucial na vida da mulher: já construiu a sua família, mas os filhos estão crescidos e já não necessitam dela; deste modo, tem mais tempo para si própria, mas os incómodos e a perda da fertilidade perturbam-na.
Os afrontamentos são dos sintomas mais associados à menopausa. Quando uma mulher se aproxima dos 50, começa a notar certas alterações típicas, as quais, no entanto, não afectam todas as mulheres por igual: afrontamentos, irregularidade no período menstrual, insónias e irritabilidade. E embora o termo mais usado seja menopausa, seria mais correcto falar-se de climatérico, conceito que faz referência ao declínio da actividade ovárica. De facto, menopausa indica a paragem da actividade menstrual, isto é, a data da última menstruação natural, determinada após um ano sem hemorragias.
Durante o climatérico, as menstruações vão-se tornando cada vez mais irregulares, até à sua completa desaparição, devido ao desequilíbrio hormonal originado pela diminuição progressiva da produção de estrogénios, por parte dos ovários.
Dentro de cada ovário, localizam-se as chamadas células germinais, umas células reprodutoras, que se formam durante a vida intra-uterina e que, ao amadurecerem, dão origem aos óvulos. O seu número é, portanto, fixado no momento do nascimento e, ao longo da vida fértil, vão-se consumindo de modo regular. Assim, por exemplo, uma mulher que tome anovulatórios, durante uma boa parte da sua vida fértil, consume igualmente os seus óvulos, porque estes entram num processo de desenvolvimento e desaparição. De acordo com a explicação dos especialistas, a menopausa ocorre quando se esgotam os óvulos no ovário; consequentemente, desaparece a principal função dos estrogénios, que é fazer com que os óvulos se desenvolvam.
Portanto, a idade da menopausa está praticamente fixada desde o nascimento e é muito constante. No nosso país, a média situa-se nos 49 anos, com uma tolerância de dois anos a mais ou a menos. É considerado excepcional que alguém apresente a menopausa antes dos 45 ou depois dos 53 anos.

PRINCIPAIS SINTOMAS

Dos estrogénios dependem outras funções, como a estrutura óssea, o desenvolvimento dos seios, o cabelo ou a distribuição do tecido adiposo. No entanto, a menstruação é a mais exigente função deste tipo de hormonas e, ao cessar a actividade ovária, os restantes processos ressentem-se.
A menopausa não afecta todas as mulheres da mesma forma. A maioria apresenta um ou vários dos seguintes sintomas, todos eles relacionados com a diminuição dos estrogénios:
 AFRONTAMENTOS – São o sintoma da menopausa por excelência. Para alguns estudiosos, afectam 70% das mulheres. Tanto a sua intensidade como duração são variáveis, mas costumam aparecer vários anos antes da instauração definitiva da menopausa. Devem-se à alteração do centro regulador da temperatura no hipotálamo.
 ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS – Podem ser muito diversas; salienta-se a irritabilidade, a ansiedade, o nervosismo, as insónias e a tristeza.
 PELE E MUCOSAS – Atrofia, desidratação, prurido, perda de elasticidade e flexibilidade e queda de cabelo.
 MAMAS – Atrofia gradativa das glândulas mamárias.
 ÚTERO – Alterações no ritmo e na quantidade do fluxo menstrual na fase pré-menopáusica e deslocamento do útero.
 BEXIGA E URETRA – Micção imperiosa, inflamação, infecções e/ou incontinência urinária.
 VAGINA – Inflamação, coito doloroso devido à secura vaginal e dificuldade de resposta ao estímulo sexual.
 GENITAIS EXTERNOS – Atrofia e prurido.
 SISTEMA VASCULAR – Depois da menopausa, as doenças cardiovasculares e vasculares cerebrais experimentam um importante incremento e podem, depois dos 65 anos, atingir uma incidência quase igual à dos homens, passando a ser a primeira causa de morte. Este risco é mais do dobro nas menopausas precoces. O risco agrava-se se existirem factores como o colesterol, a hipertensão, o consumo de tabaco e a diabetes.
 APARELHO LOCOMOTOR – Produz-se uma aceleração da perda progressiva de massa óssea, dando origem a osteoporose. Embora os estrogénios influenciem o processo de fixação de cálcio nos ossos, há outros factores que também têm a sua importância, como o consumo de tóxicos, a actividade física, a ingestão de cálcio, o peso e a estatura e os antecedentes familiares.

PERIGO PARA A SAÚDE

De todas estas perturbações, as que representam um maior perigo para a saúde da mulher são as doenças vasculares e a osteoporose. No que respeita às primeiras, o papel dos estrogénios é decisivo.
Mas há mulheres que apresentam factores acrescidos de risco, nomeadamente quando sofrem de alterações na qualidade do revestimento interno das suas artérias, quer pelo facto de serem fumadoras quer por terem quantidades inadequadas de colesterol «mau» – que é aquele que se fixa às paredes das artérias – a circular pelo sangue.
O défice de estrogénios repercute-se directamente na falta de elasticidade dos vasos sanguíneos. Assim, na sequência de um estímulo anormal da parede vascular – uma emoção forte ou um esforço grande, por exemplo –, pode produzir-se um ataque cardíaco ou uma embolia, já que os vasos se contraem e se obstruem.
No caso da osteoporose, os estrogénios são os responsáveis pelo controlo do processo de regeneração do osso. Este processo é regulado por duas famílias de células: os osteoclastos – responsáveis pela destruição da massa óssea – e os osteoblastos – obreiros da reconstrução celular. Os estrogénios regulam a actividade dos osteoclastos. A osteoporose surge a partir do momento em que a acção dos osteoclastos ¬– devido ao défice de estrogénios – supera a dos osteoblastos.

PREVENÇÃO É FUNDAMENTAL

Em 1900, a esperança de vida das mulheres era inferior à idade da menopausa, já que viviam, em média, 38 anos. Actualmente, só no nosso país, existem muitas centenas de milhares de mulheres com idade igual ou superior aos 50 anos, valor que aumenta todos os anos. Isto mostra-nos a importância da população menopáusica em pleno Século XXI, pelo que a preocupação em torno dos meios para prevenir e tratar possíveis riscos terá, forçosamente, de aumentar.
Segundo os ginecologistas, a menopausa é um momento obrigatório na vida da mulher para se fazer um «check-up» profundo e levar a cabo uma prevenção das patologias que vão tornar-se mais frequentes a partir dos 50 anos. É verdade que a mulher consulta cada vez mais o ginecologista, embora ainda não o faça tantas vezes quanto seria desejável. Assim, perante os primeiros sintomas – que são, muito frequentemente, as alterações do ciclo –, convém ir logo ao médico.
Por outro lado, há que ter em conta a questão da contracepção. A mulher menopáusica não é absolutamente infértil e ter um filho aos 48 ou aos 50 anos pode ser vivido como um problema.
A mensagem que deve subsistir é que a menopausa não é uma doença nem uma perturbação. Na vida de uma mulher, deve haver outros objectivos vitais, para além da capacidade reprodutiva. Na verdade, as mulheres sofrem mais com os aspectos psicológicos da menopausa e fazem-no em proporção directa às possibilidades de realização de que dispõem na sua actividade quotidiana. Uma executiva, por exemplo, dificilmente viverá de modo problemático esta fase da sua vida, já que não se trata, para ela, de um assunto vital. Pelo contrário, para uma dona-de-casa, que dedicou quase toda a sua vida ao cuidado da família, deixar de menstruar implica muito mais do que o simples facto físico.
Talvez este seja, precisamente, o momento da mulher se libertar das muitas correntes que a aprisionaram durante décadas e começar a explorar o seu próprio tempo e a própria sexualidade.

NÃO É O FIM DA VIDA ERÓTICA

Entre os 48 e os 52 anos, a esmagadora maioria das mulheres atinge à menopausa. As mudanças hormonais que ocorrem no interior do organismo feminino manifestam-se sob mil formas novas e diferentes.
Algumas mulheres sentem calores, palpitações, irritação, insónias, cansaço excessivo, ondas eléctricas. Muitas deixam de se excitar sexualmente. No entanto, é a falta de informação que leva muitas mulheres a confundir a falta de lubrificação com a perda de desejo.
A lubrificação vaginal é o primeiro sinal da excitação feminina. É necessária para que a penetração do pénis seja agradável. Devido às alterações hormonais da menopausa, a lubrificação vaginal torna-se mais lenta. Sem a suficiente lubrificação, o coito é doloroso e a dor impede o prazer; frequentemente, a secura vaginal coincide com indícios de disfunções sexuais por parte do companheiro. A rotina é acompanhada da diminuição dos jogos eróticos necessários para a excitação e lubrificação femininas. Se a isto se somar a habitual falta de comunicação sexual do casal, não é de estranhar que se pense ter chegado o fim da vida erótica.
Porém, a solução é fácil, quando não existem silêncios nem preconceitos: os geles vaginais e os prelúdios eróticos são suficientes para converter o mal-estar em descoberta. Livres deste problema e do risco de gravidez, o casal poderá encetar uma fase de grande riqueza sensual.


CAIXA
Soja e menopausa

Entre os alimentos de origem vegetal, a soja é das melhores fontes de proteínas, tanto em qualidade como em quantidade.
Além disso, a soja contém um conjunto de substâncias que participam activamente no estado nutricional e na qualidade de vida dos indivíduos, principalmente da mulher:
 Controlo dos níveis de colesterol sanguíneo;
 Prevenção de vários tipos de cancro;
 Ameniza os sintomas típicos da menopausa;
 Ajuda a prevenir a osteoporose;
 Tem propriedades antioxidantes, diminuindo a quantidade de radicais livres no organismo e retardando o envelhecimento precoce.
Todos os benefícios da soja devem-se à presença das isoflavonas, que são fitoestrógénios, isto é, estrogénios naturais, com importante papel na prevenção das doenças e condições acima mencionadas.


Artigo cedido pela revista “SAÚDE E BEM-ESTAR”

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