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Doenças do Útero
Útero: berço da vida

AINDA QUE ALGUMAS DAS FUNÇÕES DO ÚTERO CONTINUEM A SER UM MISTÉRIO, A PRINCIPAL DELAS – E, SEM DÚVIDA, A MAIS IMPORTANTE – É A DE ACOLHER, ALIMENTAR E PROTEGER O EMBRIÃO, DURANTE A PRIMEIRÍSSIMA FASE DO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO.

O útero está situado na cavidade pélvica, entre a bexiga e o recto, acima da vagina e debaixo do intestino. Tem a forma de uma pêra invertida e é composto por duas partes principais: o colo uterino – também chamado cérvix – e o corpo.
O primeiro é estreito e pouco volumoso, prolongando-se até à vagina, enquanto que o corpo do útero é semelhante a um triângulo, muito plano e com a base para cima. De cada um dos lados da base superior surge uma das trompas de Falópio, isto é, os canais que transportam, alternadamente, os óvulos provenientes dos ovários.
No corpo do útero, podemos distinguir uma camada muscular, o miométrio; e um revestimento interno, o endométrio, onde se «aninha» o óvulo, uma vez fecundado pelo espermatozóide.
O tamanho do útero depende de ter ou não ocorrido uma gestação. Deste modo, no caso das mulheres nulíparas, isto é, aquelas que nunca tiveram filhos, o útero pode ter cerca de 6,5 cm de comprimento por 4 cm de largura no corpo e 2,4 cm de largura no colo. Quando se trata de mulheres multíparas – as que deram à luz, pelo menos, uma vez –, as suas dimensões são algo maiores: cerca de 7 a 8 cm de comprimento por 5 cm de largura no corpo e 3 cm no colo.
Não obstante, a descrição anatómica deste órgão feminino não fica completa se não se acrescentar que o útero é bastante móvel, podendo modificar a sua posição em função da pressão exercida pelos órgãos que o rodeiam.

TRANSFORMAÇÕES

A formação do útero no embrião feminino inicia-se, aproximadamente, aos 65 dias de vida intra-uterina. O crescimento deste minúsculo órgão acelera-se durante os dois meses que precedem o parto, graças aos estrogénios e à progesterona materna, que chegam através da placenta e que estimulam, também, o crescimento do revestimento interno, o endométrio.
Poucos dias antes do nascimento, o útero contrai-se, estado em que permanece até ao início da puberdade. A partir daqui, os ovários começam a produzir hormonas femininas, que estimulam o crescimento do útero, o qual alcança o seu tamanho adulto por volta dos 15 anos de idade. É nesta fase do desenvolvimento que surge a menarca, isto é, a primeira menstruação, acontecimento que marca o começo da fase fértil da mulher.
Durante a gravidez, o útero tem a fantástica capacidade de aumentar bastante de tamanho, com o objectivo de conseguir albergar o feto. Decorridos cerca de 40 dias após o parto, o útero voltar a recuperar as suas dimensões e forma habituais. Quando a fase fértil da mulher atinge o seu termo – climatério –, não existindo já as hormonas que estimulem o seu crescimento, o útero deixa de ter menstruações – menopausa – e volta a retrair-se, retomando o tamanho da infância.

IDADE FÉRTIL

Entre a menarca e a menopausa, opera-se uma série de transformações periódicas no interior do útero, que estão directamente relacionadas com a produção cíclica de estrogénios e progesterona por parte dos ovários e que constituem o chamado ciclo endometrial. O final do dito ciclo é caracterizado pela descamação do endométrio, fenómeno que dá lugar àquilo que conhecemos como menstruação. Depois, a acção dos estrogénios produzidos nos ovários faz com que o revestimento endometrial volte a crescer.
O crescimento é rápido e progressivo, durante as duas primeiras semanas, até que se produz a ovulação, momento em que o endométrio alcançou já uma espessura de cerca de 2 a 3 milímetros. Esta etapa de desenvolvimento é conhecida como fase proliferativa.
A segunda fase do ciclo endometrial – fase secretora – é caracterizada pelo trabalho desenvolvido pela progesterona fabricada nos ovários. A progesterona faz com que o endométrio aumente a sua irrigação sanguínea. No fim desta fase, a espessura do endométrio é de cerca de 4 a 6 milímetros. O trabalho realizado pela progesterona explica porque, cerca de sete dias antes da menstruação, algumas mulheres se sentem mais inchadas; este aumento de peso – entre 1 Kg e 1,5 Kg – deve-se à retenção de líquidos, causada pela hormona e desaparece após a menstruação.
A finalidade de todas as modificações produzidas no endométrio é fazer com que este adquira grandes quantidades de elementos nutritivos, para os colocar, se necessário, à disposição do óvulo fecundado.
Com efeito, quando tem lugar a implantação, as células que revestem o embrião começam, imediatamente, a alimentar-se do endométrio. Se, pelo contrário, não chega a produzir-se a fecundação, as hormonas produzidas nos ovários diminuem bruscamente os seus níveis. A paragem das hormonas faz com que o endométrio se desprenda e seja eliminado para o exterior, através da menstruação.
No decurso de uma menstruação normal, além de serem expulsos os restos do endométrio misturados com sangue, elimina-se também material necrótico e glóbulos brancos. Esta libertação de leucócitos faz com que o útero fique a salvo de infecções, enquanto o endométrio não dispõe de parede.

PERTURBAÇÕES

Obviamente, existem algumas perturbações que podem impedir o útero de efectuar as suas funções normais: desde certas anomalias na sua formação, durante a fase embrionária, até à ausência total do mesmo, passando por uma formação anormal.
Se os problemas estão localizados no colo, podem manifestar-se através de sangramento, depois das relações sexuais ou entre os períodos menstruais. Este tipo de sangramento pode estar relacionado com a existência de pequenos pólipos ou com um crescimento de células para o exterior, embora a causa mais preocupante seja o cancro do colo uterino.
Também é possível que surjam pólipos no endométrio, muito embora o sangramento irregular nesta zona seja mais frequentemente atribuível a perturbações hormonais ou ao irregular crescimento do endométrio, o qual, por seu lado, também não está a salvo de sofrer infecções. Como norma geral, sempre que se produza um sangramento vaginal, depois da menopausa, há que recorrer ao ginecologista.
Os tumores benignos localizados, habitualmente, na camada muscular do endométrio, denominados miomas, constituem outra das patologias que afectam este órgão. O sintoma principal desta perturbação é o aumento do sangramento durante a menstruação, o que constitui uma causa frequente de anemia ferropénica – falta de ferro –, devida às perdas crónicas de sangue. Como sempre acontece com as alterações tumorais, seja qual for a sua localização, o diagnóstico precoce reveste-se de enorme importância. Por esta razão, há que insistir na conveniência de se submeter a check-ups ginecológicos periódicos e de consultar o especialista perante qualquer sangramento anormal.


Doenças do útero

Antigamente, culpava-se o útero de todos os «males» da mulher, tanto físicos como psíquicos; hoje, tem-se um conceito mais racional, ainda que incompleto, deste importante órgão. Porém, existem perturbações que podem impedir o útero de desempenhar as suas funções. Vejamos as mais significativas.

 DOENÇAS CONGÉNITAS – Na vida embrionária, o útero desenvolve-se em duas metades, que se ligam ao longo de uma mediana. Cerca de 1% das mulheres sofre de malformação congénita do útero, geralmente resultante de erro de ligação. Essa malformação não costuma ser grave, mas pode originar predisposição para partos prematuros, má apresentação do feto ou retenção da placenta, depois do parto.

 INFECÇÕES E INFLAMAÇÕES – A endometrite pode ter origem no útero ou, pelo contrário, ser causada por uma infecção que se propagou a partir de qualquer parte do sistema reprodutor, como o colo uterino. Podem, também, ocorrer em caso de retenção de fragmentos da placenta, depois do parto ou de aborto.

 TUMORES – Os tumores benignos do útero incluem os pólipos e os fibromiomas. Entre os tumores malignos, destaca-se o cancro do endométrio e o do colo do útero.

 ALTERAÇÕES HORMONAIS – A produção excessiva de prostaglandinas pelo útero pode conduzir a dismenorreia ou menorragia. As alterações hormonais que afectam os ovários podem desequilibrar a formação normal do endométrio, provocando perturbações hormonais, especialmente amenorreia ou hemorragias irregulares e abundantes.

 LESÕES – As lesões do útero são raras, excepto após intervenção cirúrgica, particularmente no caso de aborto. Em casos raros, o útero pode sofrer perfuração por um dispositivo intra-uterino.

 OUTRAS DOENÇAS – O útero pode deslocar-se da sua posição normal, dando origem ao chamado prolapso.
A adenomiose – invasão do músculo do útero por tecido endometrial – pode conduzir a dismenorreia, menorragia e dor durante as relações sexuais.
A endometriose pode ser assintomática ou estar associada à dismenorreia, à menorragia, ao coito doloroso e à esterilidade.


Artigo publicado na SAÚDE E BEM-ESTAR nº 169 / Maio 2008


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